segunda-feira, 30 de maio de 2011

Medicamentos enterrados no norte do Estado podem comprovar fraude na saúde


Cerca de sete toneladas foram localizados sexta-feira na propriedade rural do irmão de um dos envolvidos na fraude

As sete toneladas de medicamentos desenterrados em uma propriedade de Campinas do Sul, no norte do Estado, poderão comprovar a existência de fraude na venda de remédios para prefeituras do país. 

Parte da Operação Saúde, o desenterro dos medicamentos foi solicitado pela Polícia Federal depois de denúncias. O material teria sido enterrado após a prisão de 64 pessoas suspeitas de envolvimento no esquema.

Neste manhã, policiais do Pelotão Ambiental de Passo Fundo voltaram à fazenda, às margens da barragem do Rio Passo Fundo, para retirar os últimos 70 quilos de remédios. 

Na sexta-feira já haviam sido desenterradas sete toneladas. Foi preciso utilizar uma retroescavadeira cedida pela prefeitura de Campinas do Sul para procurar o local em que teriam sido enterrados. Várias tentativas foram feitas até localizar o material.

Conforme o Major Eliel de Souza Roque, comandante do 3º Batalhão Ambiental da Brigada Militar de Passo Fundo, os remédios, encontrados ainda dentro das embalagens, estavam em bom estado de preservação, o que prova que teriam sido enterrados recentemente. A maior parte deles estava vencida ou próximo da data de validade.

A área é propriedade de Alberto Follador, sócio das empresas Dispromed e Diprolmed de Erechim, e irmão de Adriano Follador, preso durante a operação. O material foi retirado do local e levado para um centro de coleta de resíduos em Passo Fundo, até que seja encaminhado para perícia. Se houver ligação com o caso de fraude na venda de medicamentos para prefeituras, o fato pode ajudar a comprovar o crime. 

Os proprietários da área também serão responsabilizados por crime ambiental, por haver feito o descarte em local inadequado provocando a contaminação do solo. 

Entenda o caso:
A Operação Saúde foi desencadeada pela Polícia Federal após investigações apontarem que distribuidoras de medicamentos situadas em Barão de Cotegipe e Erechim, pagavam propina para servidores municipais e secretários, para vencer as licitações e pregões presenciais para a venda de medicamentos. 

Os remédios eram comprados a preço mais baixo dos laboratórios, por estarem próximos da data de vencimento e repassados a preços de mercado para as prefeituras. 
O dinheiro obtido com a fraude era repartido entre os proprietários e representantes das empresas de venda de remédio e os servidores públicos das prefeituras envolvidas. A Justiça decretou a prisão de 64 pessoas que foram detidas e ouvidas pela Polícia Federal e deverão responder a processo em liberdade.

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