Principal partido de oposição do país, o PSDB realiza, neste sábado (28), em Brasília, sua convenção nacional para escolher os novos membros da Executiva e do diretório da legenda. O encontro deve consolidar a reeleição de Sérgio Guerra (PE)como presidente da sigla, mas o clima está longe de ser de união, como pregam os tucanos.
Derrotado na última corrida pela Presidência, enfraquecido no Congresso (onde é minoria), e ainda mais rachado desde a criação do PSD (Partido Social Democrata) – recém fundadopelo prefeito Gilberto Kassab (São Paulo) –, o PSDB chega à convenção dividido, como avalia o cientista político Aldo Fornazieri, diretor acadêmico da Fesp (Fundação Escola de Sociologia e Política).
- A situação do PSDB é a de um partido em crise. Ele teve três derrotas seguidas na eleição presidencial [2002, 2006 e 2010] e, embora tenha eleito um número significativo de governadores, saiu enfraquecido e perdeu força no âmbito nacional, particularmente, no Congresso. [...] E, como oposição ao governo Dilma, ele não consegue apresentar bandeiras novas e mobilizadoras.
Na convenção, 600 delegados vão eleger 213 membros do diretório nacional que, por sua vez, escolherá os nomes para ocupar a Executiva da sigla. Mas o encontro, que reunirá caciques históricos da legenda – como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (SP) – ocorre sob a “sombra” das eleições de 2014.
A escolha do novo comando servirá para medir as forças das três “alas” extra-oficiais: a dos “serristas”, ligada ao ex-governador paulista José Serra; a dos “alckmistas”, ligada ao atual governador de São Paulo, Geraldo Alckmin; e a dos“aecistas”, composta pelos aliados do ex-governador mineiro Aécio Neves – todos de olho na cadeira hoje ocupada pela presidente Dilma Rousseff.
Para o especialista, as brigas internas enfraquecem ainda mais o PSDB, que deveria investir na realização de “prévias” para escolher seus candidatos – como reivindica parte dos tucanos.
- Todos os partidos têm divergências internas, mas quando as divergências são tratadas por meio de instâncias partidárias, normalmente essas divergências são “amortecidas”, porque há um processo democrático de disputa interna. Não é o caso do PSDB, que sempre se caracterizou como um “partido de cardeais”.
“Crise de identidade”
O cientista político Diogo Costa, professor do Ibmec (Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais) em Minas Gerais, destaca como um dos principais problemas do PSDB a falta de “identidade” da legenda. Tanto é que, desde a derrota nas urnas no ano passado, surgiu um movimento pela "refundação" da sigla.
- Hoje o PSDB é um partido que se preocupa muito pouco com sua identidade. Ao invés de resgatar uma narrativa que poderia atrair o eleitor, ou de se dedicar a propostas de políticas públicas, o partido prefere se identificar por nomes e Estados, e perde a chance de se fortalecer.
Além de não ter mais “bandeiras definidas”, a sigla ainda se apoia em “personagens desgastados”, apresentando poucas opções novas ao eleitorado. Vale lembrar que um dos “trunfos” da legenda é o senador Aécio Neves que, embora carismático e dono de grande índice de aprovação em Minas, não é bem uma “novidade”, como avaliam os especialistas.

Nesse aspecto, diz o professor do Ibmec, o partido de Kassab – o PSD –, pode abocanhar um filão até então ocupado pelos tucanos.
- Algumas novas lideranças do partido já têm deixado claro sua posição [sobre políticas públicas e outros temas importantes], e isso costuma ser bom, porque você sabe o que esse partido representa, que é algo que PSDB não tem feito. Se o PSDB e o DEM quiserem se mostrar como partidos de centro-direita, e não permitir que o PSD tome esse espaço, eles precisam reagir.
Apesar de atravessar uma má fase, o partido espera conquistar consenso em torno dos novos nomes da Executiva e sair “ileso” da convenção nacional, ou seja, sem brigas mais escancaradas. Isso porque, embora divididos, os líderes tucanos têm em comum o discurso de “união”, que deve ser repetido inúmeras vezes ao longo do encontro.
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