quinta-feira, 21 de julho de 2011

Cheia dos rios obriga gaúchos a deixarem as casas



Moradores de pelo menos oito municípios precisaram ser removidos

Em Parobé, moradores precisaram ser retirados de barco. Veja fotos 
Crédito: Marina Fauth / Rádio Guaíba / Especial CP












Centenas de gaúchos tiveram que ser removidos de casa em razão da cheia dos rios provocada pela chuva que atinge o Estado desde o início da semana. Em alguns municípios, a precipitação isolou bairros e causou desmoronamento de terra em imóveis e em rodovias. O trânsito está prejudicado no Vale do Taquari, no Vale do Caí, na Serra, no Litoral Norte e no Nordeste do Rio Grande do Sul.

Vale do Rio dos Sinos

Chuva isola bairros em Rolante 
Mais de 79 mm de chuva em seis horas desabrigam pessoas e isolam bairros em Rolante, no Vale do Rio dos Sinos. Os 45 mm de chuva marcados às 19h dessa quarta-feira aumentaram consideravelmente nas horas seguintes, chegando a 79 mm à 1h30min desta quinta-feira, em função de ter chovido constantemente durante o período, fazendo com que a Defesa Civil do município se mobilizasse para resgatar famílias e isolar ruas em função da enchente.

O Corpo de Bombeiros Voluntários de Rolante, responsável pela parte operacional da Defesa Civil do município, havia resgatado 14 pessoas até o início da madrugada. Os locais mais atingidos, até o momento, são o bairro Grassmann, alguns pontos do bairro Contestado, rua Heitor Arlindo Berg (conhecida como Estrada Velha), e as localidades de Rolantinho, Linha Reichert e Linha Petry, além do Centro da cidade, onde as principais avenidas tiveram que ser isoladas, em função do grande volume de água, como a Borges de Medeiros, parte da avenida Getúlio Vargas e a rua Bernardo Henrique Bohlke Filho. O trevo que dá acesso à cidade também foi interditado logo no início da madrugada.

Mais de 100 famílias são removidas em Parobé
Cerca de 180 famílias de Parobé, no Vale do Sinos, foram retiradas de casa devido à cheia do rio Paranhana, que está 6 metros acima do nível normal. Na manhã desta quinta-feira, a Defesa Civil do município auxilia os moradores prejudicados pela enchente em seis bairros: Mariana, Paraíso, Quinze de Junho, Guarujá, Santa Cristina e Residencial Solar. Os atingidos estão sendo encaminhados para casas de parentes e para ginásios ou escolas municipais.

                 
Mais de 100 famílias são removidas em Parobé / Foto: Marina Fauth / Rádio Guaíba / CP

Bombeiros de Igrejinha estão em alerta para deslizamentos 

A chuva das últimas horas deixa em alerta os bombeiros voluntários de Igrejinha. Moradores do bairro Saibreira 2 acionaram o grupo, porque pequenos deslizamentos ocorreram em um dos morros do local. Esse é o mesmo lugar onde, em abril deste ano, sete pessoas morreram após um desmoronamento. A água do rio Paranhana subiu 7 metros, mas baixou nesta manhã e está em 3 metros. Cerca de 300 famílias foram atingidas. Do total, 70 tiveram de ser resgatadas pelos bombeiros. Os moradores desabrigados estão em um ginásio da igreja da cidade.

Cerca de casas foram invadidas pelas águas em Taquara 
A Defesa Civil de Taquara foi surpreendida, nesta quinta-feira, por um grande alagamento no bairro Santa Maria. Às 23h dessa quarta-feira, o rio Paranhana estava longe de atingir as casas. Durante ronda na madrugada, os bombeiros também atestaram que não havia problemas. No entanto, no início da manhã, a água havia entrado em cerca de 80 casas. No entanto, os moradores não querem deixar as residências e caminhões estão a postos para retirar as famílias. No bairro Empresa, a água do rio Paranhana está prestes a entrar em imóveis.

Vale do Caí


Rio não para de subir em São Sebastião do Caí
Em São Sebastião do Caí, o Rio Caí está em 11,65 metros acima do nível normal e 100 famílias das regiões mais próximas às margens já foram retiradas. A expectativa do coordenador da Defesa Civil da Cidade, Jonas Wust, é de que a cheia deste ano seja superior a de 2007, quando 60% dos moradores (cerca de 13,2 mil pessoas) tiveram de ser removidos. Para dificultar a situação, o trabalho de retirada da população foi feito às escuras, porque a cidade ficou sem luz durante toda a madrugada. 

Para as próximas horas, Wust acredita que o rio chegue a 14 metros acima do nível normal. Isso porque a régua aponta, na cidade de Feliz, 10,4 metros. Segundo os bombeiros daquele município, o rio parou de subir na última meia hora e água deve descer em direção a São Sebastião do Caí. Oito famílias já foram removidas e estradas do interior estão interditadas por causa da água. O prefeito Darci José Lauermann anunciou que solicitará à Defesa Civil decreto de situação de emergência.

Montenegro estuda maneira de remover pessoas que podem ser atingidas pela cheiaRepresentantes das Secretarias Municipais da Habitação e de Obras, além de integrantes da Defesa Civil, estão reunidos com o prefeito de Montenegro, Percival de Oliveira. Eles estudam qual será a melhor forma de retirar as famílias das casas que provavelmente devem ser atingidas pela cheia do Rio Caí. Como Montenegro é a última cidade do curso do rio, a expectativa é de que, em algumas horas, o nível, que está um metro acima do normal, suba 13 metros. O índice supera o da enchente de abril deste ano, quando mil famílias precisaram sair das margens.

Serra
Deslizamento provoca remoção de moradores em Gramado
Em Gramado, pelo menos 11 famílias precisaram deixar as casas em razão das chuvas. No bairro Piratini, 10 famílias foram removidas de oito imóveis pelo Corpo de Bombeiros. As residências ficam em um morro, onde havia risco de deslizamento. A maioria se abrigou com parentes, conforme o Corpo de Bombeiros. No bairro Dutra, um casal também deixou a casa onde morava após um deslizamento atingir parte do pátio. 


Norte do Estado
Desmoronamento obriga a retirada de 10 famílias em Passo Fundo

Em Passo Fundo, no Norte do Estado, pelo menos 10 famílias com moradias próximas às margens do rio Passo Fundo, na rua Manoel Portela, tiveram que ser removidas no início da manhã desta quinta-feira pelo Corpo de Bombeiros, devido ao desmoronamento do barranco em uma das margens do rio. Desde às 21h dessa quarta-feira, os moradores notaram que o barranco começava a desmoronar.

Os moradores passaram a noite de vigia e alguns foram para casa de vizinhos. Hoje pela manhã, soldados do Corpo de Bombeiros foram ao local e constataram que o risco do desmoronamento aumentou. Com isso, os moradores foram orientados a sair.

As famílias retiraram móveis, roupas e eletrodomésticos e procuraram abrigo em casas de parentes e vizinhos. A Defesa Civil foi acionada e nova vistoria deve ser feita para verificar se há necessidade de novas famílias serem deslocadas. Segundo o Centro de Meteorologia da Embrapa-Trigo, até as 21h de ontem – horário da última medição - havia chovido neste mês 250 mm em Passo Fundo, quando a média prevista para julho é de 153,5 mm.

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