A presidente Dilma Rousseff viaja na noite deste sábado (17) a Nova York, deixando para trás uma crise interna que tem marcado seus primeiros meses de governo. A viagem ocorre apenas um dia depois da cerimônia de posse do novo ministro do Turismo, o deputado Gastão Vieira (PMDB-MA), que substituiu o também peemedebista Pedro Novais (MA). Novais foi o quarto ministro a deixar a pasta após denúncias de irregularidades no uso de dinheiro público.
Se poderá se afastar, ao menos fisicamente, dos problemas nacionais, a presidente terá de lidar com temas delicados também fora do país. E não apenas no que se refere às discussões em torno da situação na Líbia e da busca de reconhecimento pela Palestina, mas, particularmente durante o lançamento do Comitê Internacional da Parceria para Governo Aberto.
Na ocasião, Dilma em que estará junto com seu homólogo americano Barack Obama. O objetivo da iniciativa é buscar mais transparência dos governos. O Planalto queria chegar para a reunião com a nova lei de acesso a documentos sigilosos aprovada pelo Congresso Nacional. Contudo, manobras dos ex-presidentes José Sarney (PMDB-AP) e Fernando Collor (PTB-AL) no Senado vem adiando a votação da proposta. Uma nova tentativa poderá ser capitaneada pela liderança petista na Casa na próxima semana. No Brasil, atualmente, documentos públicos podem permanecer secretos eternamente. A proposta pode limitar o prazo em 50 anos.
A reunião do Governo Aberto está prevista para terça-feira, um dia antes do discurso que a presidente Dilma fará na abertura da 66ª Assembleia Geral das Nações Unidas. O Brasil, que tradicionalmente fica encarregado do discurso de abertura, promoverá a estreia de uma mulher na posição. O evento é considerado o principal do ano por diplomatas.
Em seu discurso, a presidente deverá voltar a bater na tecla que tem sido repetida em praticamente todos os seus discursos no Brasil: a crise econômica. Dilma deverá citar exemplos brasileiros para mostrar como os países podem reduzir os efeitos da crise promovendo a inclusão social. Dilma também poderá cobrar um papel maior dos países emergentes em órgãos internacionais como o Conselho de Segurança da ONU, o FMI e o Banco Mundial.
Líbia e Palestina
Com a agenda internacional ganhando força durante a viagem da presidente Dilma aos EUA, dois temas devem exigir um posicionamento do governo brasileiro: a situação da Líbia e as demandas palestinas na ONU.
Na sexta-feira, o Brasil votou favoravelmente na ONU ao reconhecimento do Conselho Nacional de Transição (CNT) como representante da Líbia na Assembleia Geral. O conselho é o órgão criado pela oposição ao regime do ditador Muammar Gaddafi. A resolução foi aprovada por 114 a favor, 17 contra e 15 abstenções e permitirá ao presidente do CNT, Mustafa Abdul Jalil, participar das sessões da Assembleia. Em busca legitimidade internacional, o CNT já tem o reconhecimento de 60 países.
A Palestina também busca reconhecimento de um Estado independente e soberano na Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental, ocupados por Israel desde a guerra de 1967. Os palestinos querem que a ONU reconheça um Estado com essas fronteiras e deverá apresentar sua reivindicação na 66ª assembleia, enfrentando Israel e Estados Unidos e contando com a simpatia de alguns países da Europa.
O Brasil reconheceu o Estado Palestino no final do ano passado, em carta enviada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao presidente da Autoridade Palestina. “Não há previsão de mudança nessa posição brasileira”, informou o porta-voz da Presidência da República, Rodrigo Baena, na última quinta.
Estados Unidos e Israel defendem um retorno às negociações diretas, suspensas há um ano. Segundo o vice-ministro israelense das Relações Exteriores, Danny Ayalon, um pedido de adesão à ONU de um Estado da Palestina estabeleceria o fim de todos os acordos com os palestinos.
"Se os palestinos adotarem uma ação unilateral, isto significaria a anulação de todos os acordos, liberando Israel de todos os compromissos. Os palestinos terão a inteira responsabilidade", declarou Ayalon a uma radio estatal israelense.
O presidente palestino, Mahmud Abbas, defende a legitimidade da demanda “de sermos totalmente reconhecidos como membro da organização, como Estado palestino”. E diz não querer criar ainda mais atritos com Israel. "Continuaremos com qualquer esforço para chegar à reconciliação com Israel, mesmo que tenhamos visões diferentes sobre vários assuntos. A divisão é uma desculpa para não avançar. Queremos fechar essa porta e eliminar a desculpa".
*Com informações da Agência Brasil
Nenhum comentário:
Postar um comentário