quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Mais de 200 PMs protestam em frente ao Piratini, na Capital

Mais de 200 policiais militares (PMs) de nível médio fazem, nesta quarta-feira, uma manifestação em frente ao Palácio Piratini, na Praça da Matriz, em Porto Alegre, para pressionar o governo a conceder aumento linear e não escalonado, como prevê o projeto de lei encaminhado à Assembleia Legislativa. “Esperamos que o governo fique sensibilizado, após a gente fazer esse ato, e que pare com esse aumento discriminado. Não que os soldados não tenham importância, mas os sargentos e tenentes também têm”, afirmou o presidente da Associação de Sargentos, Subtenentes e Tenentes da Brigada Militar (ASSTBM), Aparício Santellano.

De acordo com a proposta do governo, o reajuste sobre o vencimento básico se dará em duas etapas, sendo a primeira parcela paga em outubro e, a segunda, em abril. No caso do soldado, o reajuste acumulado será de 23,5%. Já o 1º tenente receberá 10,5%. Para o 3º sargento, o reajuste será de 18,15%. As funções intermediárias receberão aumentos proporcionais, entre o maior e o menor índice.

“É inadmissível que o governo faça uma proposta discriminatória dividindo os servidores de nível médio. Até porque, 90% dos municípios gaúchos são comandados por sargentos e tenentes da Brigada Militar”, afirmou Santellano. Após a manifestação, os representantes do manifesto devem ser recebidos por deputados na Assembleia Legislativa.

Além dos policiais militares de nível médio, outras categorias fazem movimentos no Estado por aumento de salário. Agentes da Polícia Civil e servidores dos Correios, dos bancos e da Justiça Federal estão paralisados hoje.

Polícia Civil

Os agentes da Polícia Civil do Rio Grande do Sul começaram uma paralisação de 48 horas, nesta quarta-feira. Durante os dois dias de movimento dos escrivães, inspetores e investigadores, haverá restrição dos serviços. Somente os casos de vulto serão registrados, como homicídios, latrocínio, estupro, lesão corporal, sequestro e crimes com crianças, adolescentes e idosos entre as vítimas.

O Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores da Polícia Civil (UGEIRM) orientou os servidores a irem às delegacias e restringirem o trabalho. Na Região Metropolitana, todos os distritos e departamentos devem enviar, pelo menos, um representante para a frente do Palácio da Polícia, onde estão concentrados os diretores da entidade.

Na sexta-feira passada, os policiais civis saíram descontentes da reunião em que o Palácio Piratini manteve a proposta de reajuste de R$ 91 no vencimento básico dos inspetores e escrivães de 1ª a 4ª classe. O sindicato sugeriu elevar para R$ 120 a proposta de incremento, mas não houve acordo.

De acordo com o sindicato, o espaço comprado pelo governo nos principais jornais do Rio Grande do Sul hoje traz uma informação falsa. Segundo o anúncio, o Estado concedeu reajuste à categoria de 10,51% a 20%. No entanto, a entidade afirma que, pela proposta, o máximo de aumento que um agente ganhará no salário bruto será de 13,7%.

Bancos

A Federação dos Trabalhadores em Instituições Financeira do Estado (Fetrafi-RS) informou que 390 agências públicas e privadas não funcionaram no Estado nessa terça-feira, primeiro dia de greve dos bancários. Em Porto Alegre, foram 195. Entre os bancos públicos, a maior adesão foi da Caixa Econômica Federal – das 205 agências, 90 pararam. No Banrisul, 85 dos 399 terminais não funcionaram.

Já o Banco do Brasil teve 60 das 347 agências afetadas pela greve. Conforme o diretor da Fetrafi-RS, Arnoni Hank, os números superam as últimas paralisações da categoria. Em Porto Alegre, a sede central do Banrisul funcionou normalmente durante o dia. A entidade espera ampliar a adesão dos servidores ao movimento nesta quarta-feira.

Nos bancos paralisados, o atendimento interno aos clientes está suspenso. As salas de autoatendimento têm acesso liberado, mas ainda assim serviços como depósitos, que podem ser feitos nos caixas eletrônicos, não serão computados.

Correios

A greve dos servidores dos Correios já está na segunda semana. Na tarde de ontem, a direção da estatal e o comando da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios, Telégrafos e Similares (Fentect) estiveram reunidos, mas não chegaram a um consenso para por fim ao movimento. Hoje haverá uma nova reunião.

Na sexta-feira, os Correios rejeitaram a contraproposta apresentada pela Fentect, que pede um aumento linear de R$ 200, a reposição da inflação de 7,16% e o aumento do piso salarial, de R$ 807 para R$ 1.635. A estatal oferece um reajuste de 6,87%, aumento real de R$ 50 — o que equivale de 13% para 60% — e abono de R$ 800.

Judiciário

Os servidores do Judiciário Federal no Rio Grande do Sul também iniciaram paralisação por 48 horas. Nesta quarta-feira, está previsto um ato público para as 14h30min, em frente ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) na rua Duque de Caxias, Centro de Porto Alegre.

O protesto abrange as justiças Federal, Eleitoral, Militar e do Trabalho. A meta é pressionar o Congresso Nacional a aprovar o projeto de lei que trata de revisão salarial e tramita desde 2009 na Câmara. A categoria quer que os vencimentos sejam equiparados aos das carreiras equivalentes dos poderes Executivo e Legislativo. O último aumento para o Judiciário Federal ocorreu em 2006.

Segundo o diretor do Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal (Sintrajufe), José Carlos de Oliveira, serviços essenciais são mantidos, mas prejuízos podem ser registrados no atendimento à população. "Pode ocorrer prejuízos no andamento de demandas judiciais nas areas trabalhistas, federais e também nos cartórios eleitorais, mas o prazo ainda é muito pequeno para que sejam registrados problemas". Caso a negociação não seja encaminhada, a categoria estuda a possibilidade de declarar greve por tempo indeterminado.

Nenhum comentário:

Postar um comentário