sábado, 17 de setembro de 2011

Reformular a mentalidade das novas gerações

Formou-se nos meios educacionais do Brasil o entendimento de que os Valores Humanos já são e serão contemplados nas aulas de Filosofia, Sociologia, Ética, Cidadania e na disciplina Direitos Humanos que o Conselho Nacional de Educação (CNE) deseja incluir nos currículos escolares.
Esse, no entanto, é um grave equívoco que poderá custar ao país a oportunidade de começar agora um processo de mudanças salutares na mentalidade e no modo de conviver em nossa sociedade, tão permeada por desonestidade, violência, injustiça, corrupção desenfreada, falta de ética, de respeito, pelo “dar-se bem”, etc., que vem mantendo a nação mergulhada numa situação que, além de vergonhosa, gera muito sofrimento a milhões de pessoas.
Quando se ensina algo, a recepção se dá em nível intelectual, ou seja, é uma informação que o receptor poderá, ou não, aplicar em seu cotidiano. No entanto, quando esse algo é repassado num formato não apenas intelectivo, mas também envolvendo sentimentos, emoções e imagens mentais (estas últimas, visualizadas mediante contos e narrativas) como ocorre nos aprendizados de Valores Humanos, acaba sendo internalizado e passa a fazer parte do caráter. Certamente esse é um processo lento, para médio e longo prazo, mas é essa formação do caráter a estrutura única sobre a qual será possível construir-se uma sociedade moral e eticamente saudável.
Assim, se quisermos ter no futuro uma sociedade saudável, o ensino de Valores Humanos, ou seja, honestidade, ética, respeito, justiça, honradez, afetividade, responsabilidade, solidariedade, verdade, amor pela natureza, olhar o outro com um olhar de paz, de acolhimento, que são os fundamentos da não violência, deve começar a ocorrer nas salas de aula desde logo, como MATÉRIA ESPECÍFICA e num formato próprio, assim como acontecia antigamente, quando os mais velhos os ensinavam às crianças e jovens.
Só assim, com esses valores internalizados, e não como informações processadas pelo intelecto, poderemos contar com as transformações interiores tão necessárias em nossa sociedade.
É necessário observar-se também que um dos itens mais importantes dos Valores Humanos é o respeito em todas as suas dimensões, e quem internaliza esse valor estará praticando os próprios Direitos Humanos, mesmo sem conhecê-los pelas letras da lei.
Direitos – são indicativos de TER.
Valores – indicam o SER.
Para que alguém possa TER com equilíbrio, de forma a não gerar transtornos de variadas naturezas, é indispensável primeiro aprender a SER.
Para que alguém possa vir a respeitar os direitos dos outros e a mobilizar-se colaborando para que sejam respeitados, é necessário antes construir-se sobre as bases do SER, e isto só se consegue mediante a internalização dos Valores Humanos.
Portanto, o ensino de Valores Humanos como matéria específica nas escolas do país, caso seja adotado, certamente será o início de mudanças lentas, mas sistemáticas e progressivas porque começa pela reformulação da mentalidade das novas gerações, adultos de amanhã.
Diante do exposto e se concorda com nossas reflexões, pedimos que envide esforços para difundir esta idéia, para que o Conselho Nacional de Educação venha a incluir o ensino de Valores Humanos nas salas de aula do país como MATÉRIA ESPECÍFICA, e não apenas como conhecimentos embutidos em outras disciplinas, tendo em vista que só mesmo mediante uma mudança radical na mentalidade vigente é possível pensar-se num futuro melhor e mais digno para nós e para nossos descendentes.

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