O menino sumiu pouco depois de ser baleado e ninguém tem notícias dele há cinco dias. O adolescente que viu o irmão mais novo ser baleado está sob proteção da polícia.
Está sob proteção da polícia o adolescente que viu o irmão mais novo ser baleado em uma troca de tiros entre PMs e um traficante, na Baixada Fluminense. O garoto, de 11 anos, sumiu pouco depois e ninguém tem notícias dele há cinco dias.
“Não estou aguentando chorar mais, parece que está tapando o pulmão, está tapando tudo. Não estou aguentando mais, tenho que ficar firme agora por causa do Wesley”, diz Rosinéia de Moraes, mãe do menino.
Wesley, de 14 anos, foi atingido por balas perdidas no ombro e na perna durante um tiroteio entre policiais militares e um traficante, no início da semana. Segundo os médicos, o garoto se recupera bem.
Para a família, a maior angústia agora é a falta de notícias do irmão dele, Juan, de 11 anos. “Sumiu, ninguém dá paradeiro do garoto até agora nada”, conta Alexandre da Silva, pai do menino.
Os irmãos voltavam para casa na segunda-feira quando começou o confronto na comunidade onde moram, em Nova Iguaçu. O mais velho disse ter visto quando Juan foi baleado, mas como também tinha sido atingido não conseguiu ajudá-lo. Wesley foi socorrido por vizinhos, mas o irmão desapareceu.
A comissão de direitos humanos da Assembleia Legislativa do RJ decidiu investigar o desaparecimento de Juan. Desde ontem, o irmão dele internado no Hospital Adão Pereira Nunes está sob proteção da Polícia Civil.
“As evidências mostram que a ação da Polícia Militar é responsável pelo tiro que atingiu essa criança de 11 anos e pelo seu desaparecimento. É urgente que a Polícia Militar dê resposta à esse caso", afirma o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), que é presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alerj.
Três policiais militares que participaram da operação já prestaram depoimento na delegacia. Segundo o delegado Rafael Ferrão, o garoto não foi visto no local. “Segundo os policiais militares esse individuo eles não viram o Juan na localidade. Eles serão ouvidos novamente, serão arroladas testemunhas presenciais para a elucidação desse fato”.
O comando do batalhão dos policiais que participaram do tiroteio informou que vai apurar o caso. Enquanto isso, a família espera uma resposta.
“Estou procurando, morto ou vivo, tenho que ver o meu filho, entendeu? Esperança”, diz o pai.
A Polícia Militar informou que não vai comentar as declarações da comissão de direitos humanos da Assembleia Legislativa e disse que a corregedoria da PM ainda não está no caso.
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