SÃO PAULO - Todas as estações de trem da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) estão paradas nesta quinta-feira. A greve dos funcionários, que ontem foi parcial, hoje paralisa todas as operações. Cerca de 2,4 milhões de pessoas são prejudicadas. As estações amanheceram fechadas com cadeados e a polícia está no local para impedir tumultos. Também é difícil a situação para os moradores de sete cidades do ABC paulista (Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra). Pelo segundo dia consecutivo, seguem paralisados os ônibus que atendem a região.
A paralisação dos trens superlota o metrô, que está abarrotado. A situação mais complicada é a da Zona Leste, a mais populosa da cidade. Muitos passageiros tentam se pendurar nas portas dos ônibus, que tambbém estão lotados. Na estação Corinthians-Itaquera, passageiros formam enormes filas para tentar usar o metrô.
A operação Paese não tem como absorver a demanda dos passageiros da CPTM. Segundo Mário Bandeira, da CPTM, não há ônibus suficiente e nem infra-estrutura viária na cidade para atender a um número tão grande de pessoas.
Por volta de 9h30m, o presidente da CPTM iniciou uma reunião com representantes dos sindicatos dos ferroviários para negociar o fim da greve. Bandeira disse que é preciso ter "bom senso".
Nesta quarta-feira, primeiro dia da greve, moradores do ABC que, pela manhã, conseguiram usar o trólebus e ir trabalhar na capital, tiveram de retornar para suas casas a pé. Algumas pessoas caminharam por mais de duas horas. Quem usou carro para se locomover também acabou parado no trânsito. O congestionamento na Via Anchieta chegou a 13 km no trecho entre a capital e o ABC e quem passava a pé seguia na mesma velocidade dos carros.

Em Santo André, cerca de 500 grevistas atacaram ônibus que circulavam na cidade. Os coletivos foram parados e as chaves foram retiradas da ignição. Vidros foram quebrados com pedras e os passageiros tiveram de descer assustados. Quatro ônibus foram depredados e os motoristas tiveram de ser retirados com escolta policial. Os ônibus ficaram parados nas ruas do centro da cidade por mais de duas horas.
A greve da CPTM foi parcial ontem. O Sindicato Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil (STEFZCB) paralisou as linhas 2-Safira (Brás-Calmon Viana) e a extensão da 11-Coral, no trecho entre Guaianazes e Estudantes, em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. A partir desta quinta, porém, o sindicato de outros dois ramais da CPTM, 7-Rubi e 10-Turquesa, também decidiram parar.
A Operação Paese, que utiliza ônibus para completar o trajeto, foi acionada, sem cobrança de tarifa.
Os ferroviários pedem reajuste de 5% e a CPTM, que pertence ao governo do estado, oferece 3,07%. O Tribunal Regional do Trabalho determinou que os ferroviários mantivessem 90% da frota em operação nos horários de pico e 70% nos demais períodos, mas a decisão foi descumprida, segundo a CPTM.

No caso da EMTU, a categoria reivindica aumento de 15% e as empresas ofereceram 8%. Cerca de 850 ônibus de 130 diferentes linhas estão nas garagens. Ontem, a EMTU entrou com uma medida cautelar no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 2ª Região para garantir à população a operação de 80% da frota dos ônibus metropolitanos. A liminar foi deferida pelo TRT, que determinou a volta imediata de pelo menos 80% da frota, sob pena de multa diária de R$ 200 mil. Uma audiência de conciliação entre patrões e empregados também foi marcada para esta quinta-feira à tarde, segundo decisão do tribunal.

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